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terça-feira, 20 de outubro de 2009

sob signo da intuição



Jung compara os pressentimentos a uma bússola interior – uma função psíquica que utiliza os cinco sentidos para produzir novas conclusões que não dependem da realidade concreta

por Silvia Graubart



© PASCAL RONDEAU/ ALLSPORT/ GETTY IMAGES


AIRTON SENNA: inexplicável inquietação na noite anterior ao acidente que provocou sua morte, em 1994


[continuação]


A intuição capta fragmentos das experiências de forma simbólica, imaginativa, de maneira que esses pequenos estilhaços possam ser organizados para compor uma espécie de vitral ou caleidoscópio, cuja combinação faz surgir um todo inovador. Mas para que essa nova informação aconteça deve-se abrir mão do raciocínio e da lógica, pois apesar de ela não se opor à razão, situa-se fora dos seus domínios. Enquanto uma procura organizar os fragmentos de forma coerente, a outra busca uma combinação harmoniosa, obtida pela via da imaginação, do relaxamento e da quietude.

O psiquiatra Carl Gustav Jung (1875-1961) criador da psicologia analítica, chamou a prontidão para compor esse vitral, tirando o máximo proveito do jogo que se forma entre luzes e sombras, de intuição, no qual flashes criativos desvendam possibilidades. A intuição é nossa habilidade de perceber o que pode vir a acontecer; pressentir o que ainda não está visível e reconhecer potencialidades ainda não realizadas. Essa característica é muito comum em empresários audaciosos, que têm a ousadia de projetar e comercializar projetos inovadores; em jornalistas e editores que “farejam” no mercado qual título será bem aceito no ano que vem; nos corretores da bolsa de valores, cuja destreza em prever a alta de determinado papel no mercado fi nanceiro pode tornar seus clientes milionários; nos marchands, cuja capacidade de avaliar o potencial criativo de um pintor ou escultor surge antes mesmo que eles se deem conta da real qualidade de suas obras; em videntes, cartomantes, tarólogos e outros profissionais que trabalham com terapias alternativas, cuja extrema sensibilidade à atmosfera do lugar e às características das pessoas que os procuram, são capazes de revelar inúmeras coisas a seu respeito.

Fruto de seu próprio processo individual e de um período que Jung chamou de “doença curativa”, descrito em sua autobiografia Memórias, sonhos, reflexões (1961) o capitulo “Confronto com o inconsciente”, no volume VI de suas obras completas no qual expõe a teoria dos tipos psicológicos, ajuda-nos a compreender o que, na época, o autor sistematizou sobre o psiquismo. Aliás, nunca mais se viu uma obra sua com tal característica, tão cientificista. Publicado em 1921, o texto é o resultado de quase 20 anos de trabalho na prática clínica e a primeira produção intelectual depois do seu rompimento com Freud. Nele, o psiquiatra suíço constata que além das muitas diferenças individuais na psicologia das pessoas, existem também diferentes maneiras de nos relacionarmos com os fatos cotidianos.

Revista Mente Cérebro

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