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quinta-feira, 22 de julho de 2010

o olhar sobre a trajetória da asesp 2

Lutas da ASESP


Na década de 1980, já no declínio da ditadura militar, em São Paulo, a Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo - ASESP em um movimento em prol do retorno da disciplina de Sociologia no antigo 2º grau, em parceria com um órgão da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, a Coordenadoria de Ensino Pedagógico, [CENP] foi construída uma proposta curricular (diretrizes e normas, metodologia e bibliografia de ensino de Sociologia) para as escolas de 2º grau paulistas. Em 1984, vários comícios são realizados em todo País em favor das eleições diretas. O movimento ficou conhecido como Diretas Já.


Depois do reconhecimento da profissão em 1980 e da regulamentação por Decreto em 1984, muitas entidades sindicais foram fundadas nos Estados, propiciando o aparecimento do Sindicato de Sociólogos, até então uma novidade para estes profissionais das Ciências Sociais


Às vésperas do comício do Vale do Anhangabaú, uma passeatacom mais de 500 sociólogos saiu da antiga sede da ASESP e do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, então na Rua Augusta, e dirigiu-se ao local do comício, tendo à frente Vinícius Caldeira Brant, pesquisador do CEBRAP, presidente à época do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo e ex-presidente da UNE, e que foi professor da UFMG. Seus estudos sobre movimentos sociais e relações de trabalho contribuíram para a evolução da sociologia brasileira.


Em 1986, por reivindicação da ASESP e do Sinsesp, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo realiza concurso público para provimento de cargos de professor em diversas disciplinas e abre vagas para a disciplina de Sociologia, privativa dos sociólogos. Cerca de 1.500 sociólogos se inscrevem e 450 foram considerados aprovados. Em 1991 é motivo de inúmeras congratulações e júbilo a escolha do tema do VI Congresso dos Sociólogos do Estado de São Paulo - "Participação: Realidade e Mito.


Um Olhar sobre a Utopia", tendo em vista os impasses políticoeconômicos da vida brasileira e a necessidade de se refletir sobre a participação de todas as camadas da população no esforço nacional de superação da crise. Sobre o tema, o professor Florestan Fernandes, sociólogo, respeitado intelectual dentro e fora do Brasil, expressou: "(...) Os sociólogos entendem a utopia como a 'negação da ordem existente'.


Não se trata de uma perspectiva irrealista e romântica de descobrir os requisitos de uma 'sociedade perfeita'. Porém de definir tensões e contradições que possam concorrer para a reprodução da ordem existente. Em termos concretos, é a situação histórica em que se debate o Brasil. Por isso, encontro-me compensado pela temática desta convenção. Ela repõe os sociólogos no campo da luta econômica, social e política (...)"



Na literatura sociológica, algumas referências marcantes sobre a ASESP são encontradas em diferentes autores, teses e pesquisas, como "O mercado de trabalho dos cientistas sociais" (Bonelli, 1994); "Sociólogos & Sociologia", "História das suas entidades no Brasil e no mundo", (Mattos & Carvalho, 2005), dentre outras. Desde 2003, lamentavelmente, a ASESP encontra-se desativada, apesar de sua significativa contribuição e legado para a democracia e a sociologia, em diferentes momentos pelos quais passou o associativismo científico e profissional dos sociólogos brasileiro.





Ex-presidentes da ASESP, na sessão solene em comemoração aos 30 anos da Associação, em 2001. Da esquerda para a direita: Sedi Hirano, Carmen Junqueira, Nancy Valadares, Francisco de Oliveira, Antonio Gonçalves, Paulo Edgar A. Resende, Levi Bucalem Ferrari


Na mídia


Vários jornais destacaram a fundação da Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo como um marco histórico e passo decisivo no reconhecimento da profissão. Esta caracterização e repercussão da fundação da ASESP aparece, entre outros, em "Sociólogos fundam Associação Diário Popular, 10/8/71", "Fundação da Associação dos Sociólogos de SP Folha de São Paulo, 8/8/71", "Associação de Sociólogos elege primeira diretoria Folha de São Paulo, 11/8/77", "Sociólogos fundam sua Associação Folha da Tarde, 12/8/71", "Sociólogos de SP, já têm a sua associação" Diário Popular, 12/8/71", "Sociólogos fundam Associação Ultima Hora, 12/8/71", "Sociólogos fundam associação O Globo,11/10/71".



ReferênciasBONELLI, Maria da Gloria. "O mercado de trabalho dos cientistas sociais". In Revista Brasileira de Ciências Sociais, no. 25, ano 9, junho de 1994, págs. 110-126 CARVALHO, Lejeune Mato Grosso X.& MATTOS, Sergio Sanandaj. Sociólogos & Sociologia. História das suas entidades no Brasil e no mundo. Vol. I, São Paulo: Editora Anita Garibaldi, 2005. C ARVALHO, Lejeune Mato Grosso & MATTOS, Sérgio S., "Sociólogos e Sociologia: Breve Cronologia da Historia da Ciência, da Organização Estadual e Nacional e da Profissionalização no Brasil", Caderno da Federação Nacional dos Sociólogos, n. 1, março, São Paulo: 1997, 19 p.; MATTOS, Sérgio Sanandaj, Considerações Sobre a Formação Histórica da Asesp e a Profissionalização do Sociólogo, São Paulo: Asesp, 1993, 30 p.




Revista Sociologia

domingo, 18 de julho de 2010

o olhar sobre a trajetória da asesp 1

A ASESP, vocacionada para o debate, esteve sempre presente em diferentes e importantes momentos da trajetória política do País, compartilhando saberes, solidariedades e utopias




O movimento associativo dos sociólogos é um fenômeno historicamente recente. No Brasil, os processos de redemocratização levaram ao surgimento de uma série de organizações e de reflexões sobre o significado do fazer sociológico. Nos anos de 1970, disseminou-se a necessidade da regulamentação da profissão de sociólogo, quase restrita ao campo acadêmico e universitário, formação necessária à intelectualidade brasileira para o avanço da sociedade urbano-industrial.


Seus óbvios reflexos conduziram à ampliação das funções dos sociólogos que passaram a estar presentes, não só nas universidades, mas no campo da educação básica, na área de recursos humanos, nos setores de pesquisa de opinião e de mercado, na assessoria legislativa parlamentar, marketing político, planejamento e desenvolvimento urbano, entre tantas outras. No final da década de 1960, um grupo de sociólogos paulistas começou a se mobilizar para constituir uma associação profissional, tendo em vista a necessidade de lutar pela regulamentação da profissão e delimitação do campo de atuação profissional.


Formou-se então, a partir de outubro de 1969, a "Comissão Pró-Formação da Associação de Sociólogos do Estado de São Paulo - ASESP". Essa Comissão era composta por Eva Alterman Blay, Lia de Freitas Fukui, Sandra Aparecida Baptista de Souza Cabezas, Ana Maria da Cunha Mohor, entre outros. O estudo de campo "Pesquisa sobre a Profissão de Sociólogo", da Professora Aparecida Joly Gouveia, serviu de base preliminar sobre a situação do sociólogo no Estado de São Paulo e deu início ao processo de criação de uma Associação de Sociólogos.
O movimento conquistou o apoio de sociólogos de renome nacional e internacional, bem como da sociedade civil, e, assim, após dois anos de estudos preparatórios, em 10 de agosto de 1971, foi finalmente fundada a Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo (ASESP) que mereceu significativo destaque na imprensa paulista e nacional, passo decisivo para o reconhecimento da profissão.


A atuação



A ASESP, desde a sua fundação, cumprindo uma exigência histórica, sempre esteve presente nas lutas por democracia (Campanha da Anistia, Diretas Já, etc.) e em diferentes momentos pelos quais passou o associativismo científico e profissional dos sociólogos brasileiros, contribuiu na reflexão crítica e produziu inúmeros estudos. Uma cópia dos anais do seminário "Prática x Produção: Uma reflexão sobre os estudos da Cultura Negra no Brasil hoje" (1982), integra o acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.


Em 1975, diante da morte brutal do jornalista Vladimir Herzog, a diretoria da ASESP, através de nota divulgada nos principais jornais, convidava seus associados para a cerimônia ecumênica a ser realizada na Catedral da Sé, em sua memória. Herzog era marido de Clarice Herzog, socióloga e ex-diretora da ASESP. Esse evento reuniu mais de 10 mil pessoas na Catedral da Sé no dia 31 de outubro de 1975, um evento de repúdio à ditadura militar. Em 1979, levantamento efetuado pela Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo demonstrava a existência dentre os formandos de 34 faculdades, no total de 7.764, no período de 1936 - 1975 (no Estado de São Paulo) de 4.337 Licenciados em Ciências Sociais, 2.605 Bacharéis em Ciências Sociais e 807 Bacharéis e Licenciados em Ciências Sociais.


Em 1981, por iniciativa de Francisco de Oliveira, então presidente da ASESP, foi realizado o 1º Congresso Estadual de Sociólogos no Estado de São Paulo. Ao longo de sua trajetória os congressos da ASESP discutiram temas gerais, como "O Sociólogo e o Futuro da Democracia no Brasil: Condições e Possibilidades (USP, 1981); O Sociólogo e a Questão Social. 50 Anos de Sociologia no Brasil (USP, 1983); Os Sociólogos e a Constituinte (USP, 1985); Caminhos da Sociedade no Brasil Balanço e Perspectivas (USP,1987); Sociologia: Ordem e Desordem (USP,1989); Participação: Realidade e Mito. Um Olhar sobre a Utopia (USP,1991); Velhas e Novas Crises: O papel das Ciências Sociais (Unicamp,1993); Globalização, Neoliberalismo e Questão Social (PUC/SP,1995); Democracia: Consolidação ou Incertezas (USP, 1997); Democracia Social: Social Democracia ou Democracia Radical (Unesp,1999); Olhar sociológico para o novo século: O Brasil e as trajetórias políticas e sociais emergentes (PUC/SP, 2001). Este foi o último realizado, sendo que desde 2003 a entidade encontra-se inativa.


Uma das maiores conquistas da ASESP foi sem dúvida o reconhecimento da profissão e também a criação em 1º de outubro de 1982 da APSESP, entidade pré-sindical, convertida em Sindicato em 1985


O primeiro presidente da ASESP foi o Prof. Dr. Luiz Pereira, livre docente da Universidade de São Paulo. Posteriormente presidiram a Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo, intelectuais que formavam boa parte da tradição sociológica brasileira, como Duglas Teixeira Monteiro, Carmen Sylvia A. Junqueira, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Francisco de Oliveira, José Álvaro Moisés, Gabriel Cohn, Sedi Hirano, Eder Sader, Antônio Gonçalves, Levi Bucalém Ferrari, Nancy Valadares de Carvalho, Paulo Edgar de Almeida Resende e Heleieth Iara Bongiovani Saffioti.


Depois do reconhecimento da profissão em 1980 e da regulamentação por Decreto em 1984, muitas entidades sindicais foram fundadas nos Estados, propiciando o aparecimento do Sindicato de Sociólogos, até então uma novidade para estes profissionais das Ciências Sociais. Uma das maiores conquistas da ASESP foi sem dúvida o reconhecimento da profissão e também a criação em 1º de outubro de 1982 da APSESP, entidade pré-sindical, convertida em Sindicato em 1985. A criação do Sindicato dos Sociólogos é consequência de um processo de debates que se iniciou em 1980, entre os sociólogos paulistas.


Início oficial


A sessão solene que instituiu a Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo ocorreu no auditório da Faculdade de Filosofia Sedes Sapientae da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Presidiu a assembléia de fundação da ASESP a Profª Drª Eva Alterman Blay, secretariada por Ana Maria da Cunha Mohor, com a participação do professor Cyro Berlink, da Escola de Sociologia e Política, Maria Alice Forachi Mencari e Luiz Pereira. Agregando, desde então, muitos dos nomes mais expressivos da sociologia brasileira, teve entre os sociólogos sócio-fundadores, além dos componentes acima mencionados, Maria Isaura Pereira de Queiróz, Luiz Pereira, Lia de Freitas Garcia Fukui, Sandra Aparecida Baptista de Souza Cabezas, Léa Maria da Rocha, José de Souza Martins, Mauricio Eduardo Guimarães Cadaval, Antônio Carlos Boa Nova, Sérgio Vassimon, Maria Christina de Souza Campos, entre outros. I


* Sérgio Sanandaj Mattos é sociólogo, professor e secretário-geral do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo (Sinsesp) e ex-diretor da Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo (ASESP). É co-autor do livro Sociólogos & Sociologia. Histórias das suas entidades no Brasil e no mundo (ss.mattos@uol.com.br)


Revista Sociologia