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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Os dramas da mente 3

Por Anderson Fernandes de Oliveira



O LADO DE DENTRO

Autoconhecimento, para entrar no ciclo de aprendizado contínuo, e astúcia política, ou seja, saber se colocar em qualquer situação, sendo sempre um profissional com equilíbrio são fatores fundamentais para aperfeiçoar a desenvoltura social de um indivíduo no local de trabalho, apontados por Andréa Mônaco, psicóloga, atriz, coordenadora responsável pela elaboração, aplicação e acompanhamento de Programas de Treinamentos e Desenvolvimentos (T&D) focados em Comunicação, coaching e coordenadora geral de consultores de desenvolvimento pessoal e profissional da HomineArt, consultoria de capital humano.

Andréa já treinou diversos executivos e colaboradores de grandes empresas e multinacionais e cita que o departamento de pessoal de uma empresa pode adotar três processos facilitadores no desenvolvimento de seus funcionários. "O primeiro passo é criar na empresa uma cultura de que não existem erros, apenas aprendizados. Em segundo lugar, formular um T&D conforme as condições financeiras da empresa (budget) e o público alvo (target) fundamentado na cultura sugerida, para desenvolvimento dos envolvidos. E, por fim, preparar o ambiente corporativo para aceitar as mudanças comportamentais daqueles que estão neste programa de desenvolvimento."

Ela considera que todos, sem exceção, conseguem potencializar os seus "eus", tornando-se mais comunicativos, por meio dos treinamentos em cursos de artes cênicas. Isso também é válido até mesmo para os mais tímidos. O fato a se destacar é que algumas pessoas têm mais facilidade do que outras para se entregar ao processo das aulas e, por isso, colhem os resultados mais rapidamente, uma vez que não existe dificuldade de aprendizado, mas sim de entrega. Mas, segundo a professora e psicóloga, invariavelmente, todos atingem os objetivos a que se propuseram.

Entretanto, ela afirma que nem sempre timidez e introversão são fatores desencadeantes de um bloqueio nas relações sociais. "Atendi, certa vez, um executivo do sistema financeiro que não conseguia se desempenhar em suas reuniões e apresentações por ficar demasiadamente preocupado com o que seus pares e líderes estavam pensando a seu respeito. Esse é o medo da desaprovação, o mais comum limitador no desenvolvimento pessoal e profissional. Digo que 95% dos nossos 'treinandos' possuem esse bloqueio por não se autoconhecerem o suficiente", revela Andréa.

PSICODRAMA E SUAS REFERÊNCIAS LITERÁRIAS


Loucos em cena


O psiquiatra José Fonseca analisa e entrelaça a filosofia dialógica de Martin Buber e as teorias psicodramáticas de Jacob Levy Moreno. Essa análise, somada à experiência clínica, permite ao autor expor sua visão da loucura e da sanidade, esboçando a teoria do desenvolvimento da personalidade. Indicado para profissionais das áreas psi, educadores e pessoas interessadas em filosofia e religião.

Psicodrama da loucura - Correlações entre Buber e Moreno Por: José Fonseca. Editora Ágora

Drama atual

O livro organizado pelo psicodramatista estadunidense Jacob Gershoni, , traz a contribuição de autores de diversas partes do mundo, Eles escrevem sobre sua prática clínica com famílias, crianças, adolescentes e minorias, bem como sobre o uso do psicodrama em ambientes educacionais e na área jurídica. Apresenta também as mais modernas aplicações do psicodrama e retoma a contribuição de Moreno para a psicoterapia de grupo


Psicodrama no século 21 - Aplicações clínicas e educacionais Por: Jacob Gershoni. Editora Ágora


Cérebro em foco

Fundamentando os pressupostos básicos da teoria de Moreno e das contribuições de Jaime Guillermo Rojas- Bermúdez com estudos da neurociência, a obra aborda o relacionamento terapêutico e os mecanismos de mudança numa perspectiva neuropsicológica. Também menciona, com casos clínicos, a técnica da construção de imagens e discute diretrizes para o psicodramatista contemporâneo.


Psicodrama e neurociência - Contribuições para a mudança terapêutica Por: Heloisa Junqueira Fleury, Georges Salim Khouri e Edward Hug. Editora Ágora

Caminhos brasileiros

O livro recupera a história do psicodrama brasileiro desde seus primórdios, contextualizando o movimento social. Aborda a chegada do psicodrama no Brasil, a resistência à ditadura militar, a criação da Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap) e da Revista Brasileira de Psicodrama, os congressos bianuais e alguns eventos fundamentais para a expansão do movimento, bem como seus precursores no Brasil e a influência de outras áreas do conhecimento sobre eles.


Psicodrama brasileiro - História e memórias Por: Júlia Motta. Editora Ágora

Contudo, para Cintia Balsinelli, psicóloga do departamento de Recursos Humanos da editora de livros Larousse, buscar aperfeiçoar a desenvoltura por meio das artes cênicas não é suficiente para pessoas com dificuldade em entrosamento. Ela ressalta a importância das artes teatrais para a mente e cognição de um indivíduo, mas avalia que saber entender-se e conhecer-se é o que vai garantir que possíveis dificuldades sejam realmente sanadas, ou seja, procurar ajuda de um psicólogo.

De qualquer maneira, Cintia acredita que o palco sirva para aprimorar nossa comunicação sobre diversos aspectos, o que facilita muita coisa no nosso dia a dia. Para ela, a comunicação é, hoje, nosso maior trunfo. Saber ouvir e observar faz parte desta comunicação e estas técnicas são amplamente ensinadas nestes cursos. "Jacob Levy Moreno trabalhava muito com o Psicodrama, que é uma técnica de tratamento grupal. Ele acreditava que por meio da dramatização de temas específicos, o paciente conseguiria não só interagir com o grupo, mas também aprender com ele. De forma simples e objetiva, os temas eram 'vivenciados' pelos participantes de forma a explorarem suas emoções e conflitos", reflete a psicóloga.

Cintia também revela que, na área de Recursos Humanos, por exemplo, estas técnicas são utilizadas em seleção de pessoal e também em treinamentos corporativos, pois permitem a vivência do conflito, exploram a espontaneidade e fazem que os participantes revivam o seu papel dentro da organização.


EM CIMA DO TABLADO




Os jogos dramáticos são uma das formas para soltar os personagens inconscientes dos indivíduo. É o momento do autoconhecimento

No Psicodrama, o compartilhamento de histórias permite recriar um acontecimento e vê-lo de outra forma, além de compartilhá-lo de forma a criar uma realidade semelhante a todos. Isso permite reviver o papel da pessoa dentro da sociedade e aprimorá-lo a fim de resolver conflitos internos e/ou sociais.

Se pegarmos alguns pontos da teoria do Psicodrama, poderemos entender o porquê de os cursos em artes cênicas serem tão procurados para casos de dificuldade de expressão e envolvimento social. A dramatização, por exemplo, é uma das técnicas estudadas por Moreno, que tem como objetivo aproximar o indivíduo dele mesmo, por meio da espontaneidade. Trata- se de um caminho pelo qual o indivíduo pode entrar em contato com seus conflitos internos, que até então estavam em estado inconsciente.

Outro exemplo é o jogo dramático, técnica que tem a finalidade de aproximar o psicólogo dos problemas da pessoa, por meio de jogos. Parafraseando a atriz Marília Ferreira, os jogos expõem as pessoas a situações, por vezes, embaraçosas. Remetendo a Moreno, cenas sem dramaticidade são cenas vazias. Pelas cenas dramáticas, o indivíduo expressa livremente as criações do seu mundo interno, realizando-as na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por uma determinada atividade corporal. Assim, com os dramas vividos em cima do tablado, a pessoa tem a possibilidade de encontrar seu potencial escondido dentro de seus personagens inconscientes.




Revista Psique

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