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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CONSTRUÇÃO DA FELICIDADE 2

© MICROGEN/SHUTTERSTOCK

SENSAÇÃO DE MERGULHO: alegria imediata costuma surgir com atividades prazerosas, como a prática de um esporte ou o encontro sexual com quem amamos

Essa felicidade “artesanal” – que optamos por construir – compreende duas possibilidades que se complementam: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da vida. A primeira forma pode ser descrita como uma experiência intensa de grande alegria. Ela inclui o desejo sexual, assim como todos os outros tipos de prazeres sensuais e vivências flow – ou seja, o mergulho intenso e entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento quando nos sentamos na varanda, na hora do pôr-do-sol, após um dia duro e produtivo de trabalho, ao lado da pessoa que amamos, colocamos as pernas para cima, ou o frescor estimulante que experimentamos durante um banho em uma cachoeira, também são exemplos de felicidade atual. Em todos esses casos, surge uma sensação agradável que alguns psicólogos chamam de “afeto positivo”. Muitas pessoas já descobriram que conseguem se motivar para realizar tarefas desagradáveis ao antecipar em sua mente a sensação boa que as preencherá após o término bem-sucedido da atividade.

Embora muita gente subestime sistematicamente os detalhes e as pequenas gentilezas, tanto na vida privada quanto na profissional, um meio bastante eficiente para a criação de afetos positivos é a atenção social: um sorriso, um elogio sincero, palavras gentis – ou mesmo um coelhinho de chocolate na Páscoa. O problema é que muitos aprenderam a se relacionar segundo um princípio que lhes parece lógico: “Se eu gosto de você, não preciso lhe dizer. Quando não gostar mais, então eu lhe digo”. Ou segundo um provérbio alemão da Suábia, que corresponderia a afirmar: “Não reclamar é o mesmo que elogiar”. Será mesmo? Essa parece ser a linha, avessa ao reconhecimento do empenho e dos bons resultados, adotada também em inúmeras empresas. No entanto, um bom ambiente de trabalho não surge, por exemplo, só porque se organiza, uma vez por ano, um encontro entre os funcionários, mas é construído muito mais com base em vários pequenos momentos que oferecem vivências de felicidade atual.

O caso do meu mecânico e seu coelho da Páscoa mostra o quão decisivos podem ser esses detalhes que fazem com que a pessoa se sinta vista e valorizada – o que nos faz pensar que poderia ser bastante produtivo que as empresas se preocupassem em manter uma cota de dedicação social. Com um gasto financeiro mínimo já seria possível elevar sensivelmente a satisfação dos trabalhadores e, com isso, o rendimento no trabalho. O mesmo vale para a convivência na família e com o parceiro. Gestos como enfeitar a casa com flores, se permitir uma tarde inteira de pura preguiça ou dividir o planejamento de passeios podem despertar a cumplicidade entre entes queridos – e afetos positivos.

PARA CONHECER MAIS

Você é feliz. Michael Wiederman, em Mente&Cérebro, nº 174, págs. 34-41, julho de 2007.

A liquidez de um enigma. Maria Auxiliadora de A. Cunha Arantes, em Mente&Cérebro, nº 174, págs. 42-49, julho de 2007.

Revista Mente Cérebro

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